Kiri-japonês (Paulownia): vale a pena plantar no Brasil? Guia para o pequeno e médio silvicultor
Resumo rápido: o Kiri-japonês (Paulownia spp.) cresce muito rápido, rebrota depois do corte e produz uma madeira leve, valorizada em nichos como pranchas de surf, instrumentos e móveis. Por outro lado, exige solo profundo e bem drenado, manejo anual de desbrota, um comprador definido — e tem risco de se espalhar para áreas naturais. A pesquisa brasileira é sólida em clonagem e fraca em ensaios de produtividade em vários locais. Este guia separa o que está bem comprovado do que ainda é promessa, explica os termos para quem está começando e lista as fontes oficiais para você aprofundar.
1. Para quem está começando: o vocabulário em 2 minutos
Antes de seguir, alguns termos que aparecem o tempo todo neste guia:
- Silvicultura: o cultivo de árvores como lavoura — planta, cuida, mede e colhe a madeira.
- Kiri, quiri, Paulownia: nomes da mesma árvore de origem asiática. "Paulownia" é o nome científico do gênero; "kiri" é o nome japonês.
- Clone: muda feita a partir de um pedaço de uma árvore-mãe, e não de semente. Todas as mudas são geneticamente idênticas à matriz escolhida.
- Híbrido: cruzamento entre duas espécies. Alguns híbridos de Paulownia são vendidos como estéreis (não geram sementes que germinem).
- Decepa: cortar a árvore rente ao chão de propósito, para que ela rebrote reta.
- Rebrota (talhadia): a cepa que ficou no chão emite novos brotos, e a árvore "volta" sem precisar replantar.
- Desbrota: tirar os brotos laterais para o tronco ficar limpo e sem nós.
- Espécie exótica invasora: planta de fora que escapa da área de plantio, se espalha sozinha e toma o lugar das nativas.
- DAP, IMA, desbaste: veja o glossário da silvicultura.
2. De onde vem e como chegou aqui
O gênero Paulownia é nativo da Ásia (China e países vizinhos). A Embrapa registra que o quiri (Paulownia fortunei) se adapta bem a regiões de temperatura amena, como o Sul do Brasil, e que foi introduzido no Paraná na década de 1970 (Stuepp, Wendling e Zuffellato-Ribas, 2016). Os plantios brasileiros nasceram de poucas matrizes e de híbridos naturais, e o baixo poder de germinação das sementes foi um dos gargalos históricos: por isso a pesquisa se concentrou na clonagem.
Você vai encontrar, em textos e materiais de venda, outros números históricos: introdução em 1959 em Mogi das Cruzes (SP) e cerca de 50 mil hectares plantados nas décadas de 1970 e 1980, em São Paulo e no Paraná. Não localizamos fonte oficial ou científica que confirme esses números; tratamos como informação a ser questionada (veja a seção 9).
3. Há estudo suficiente no Brasil? Onde a base é forte e onde é fraca
A resposta honesta é "depende do assunto". Esta é a nossa leitura do que existe publicado:
| Assunto | Base de conhecimento | O que sabemos | O que falta |
|---|---|---|---|
| Clonagem (miniestaquia) | Forte (Embrapa Florestas e UFPR) | Protocolo publicado, com minicepas que sobreviveram 100% após cinco coletas e enraizamento de 70 a 90%. | Testar os protocolos nos híbridos mais recentes. |
| Risco de invasão | Inicial (modelo climático da UFS) | Mapa de suscetibilidade por bioma e estado. | Estudos de campo, com monitoramento de plantios reais. |
| Produtividade por região | Fraca | Existem relatos pontuais e projeções comerciais. | Ensaios com clones em vários solos e climas, com medições repetidas por anos. |
| Adubação e calagem | Fraca | Recomendações gerais de literatura internacional. | Doses calibradas para Latossolos brasileiros. |
| Mercado e preço da madeira | Praticamente não há dado público | Cotações e anúncios isolados. | Série de preços, contratos e volumes transacionados. |
Classificação feita pela equipe do App Silvicultor a partir da literatura citada nas referências. Não é uma revisão sistemática.
Na prática, isso significa que é razoável começar com área-piloto, mas é arriscado fazer um plantio grande baseado só em projeções de venda.
4. Como a muda é produzida (e por que isso importa para você)
Semente de Kiri é miúda, alada, precisa de luz para germinar e, no Brasil, tem germinação baixa. Por isso as mudas comerciais são clones. O protocolo da Embrapa (Stuepp et al., 2016) funciona em etapas:
- Escolher a árvore-matriz no campo, pelas melhores características.
- Decepar a matriz a menos de 1 m do solo, de preferência no final do outono ou na primavera, para estimular brotações jovens.
- Coletar os brotos cerca de três meses depois e preparar estacas (a Embrapa descreve estacas de 12 ± 1 cm para brotos de decepa).
- Aplicar auxina (ácido indolbutírico, AIB) na base das estacas: a Embrapa indica 2.000 mg/L por 10 segundos para os brotos de decepa e 1.500 mg/L por 10 segundos para os de galhos em casa de vegetação.
- Formar minicepas em estufa; delas saem as miniestacas, a 76–114 por m² por mês no estudo publicado.
O que isso significa para quem compra mudas: peça ao viveiro a espécie ou híbrido, a origem do clone e o registro no Ministério da Agricultura (RENASEM). Muda barata e sem procedência é o jeito mais comum de comprar problema.
5. Solo e clima: a seleção da área decide o resultado
O Kiri não é uma espécie "de qualquer terra". Os parâmetros abaixo são faixas gerais descritas na literatura, úteis para triagem da área; não substituem análise de solo nem um ensaio local, porque faltam experimentos brasileiros com clones em vários sítios.
| Fator | Condição favorável | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Profundidade do solo | Profundo (a raiz é pivotante e vigorosa), sem camada dura ou pedra | Solo raso, lajes, muito cascalho |
| Drenagem | Bem drenado, textura média (franco-arenosa a franco-argilosa) | Encharcamento, várzea, lençol freático raso: as raízes apodrecem |
| Acidez e nutrientes | pH perto da neutralidade, com calagem e fósforo no plantio | Latossolo muito ácido sem correção |
| Chuva | Em torno de 800 a 1.200 mm bem distribuídos | Seca prolongada nos dois primeiros anos sem irrigação |
| Luz | Sol pleno | Sombreamento lateral denso |
| Frio | Plantar na primavera, depois do risco de geada tardia | Geada em planta jovem sem a madeira ter endurecido |
Faixas compiladas da literatura internacional sobre o gênero; sem calibração oficial para os solos brasileiros. A Embrapa registra que o quiri se adapta a regiões de clima ameno, como o Sul do país (Stuepp et al., 2016).
6. O manejo que dá trabalho: espaçamento, decepa e desbrota
- Espaçamento amplo. A literatura aponta arranjos como 5 x 5 m ou 4 x 6 m (300 a 500 árvores por hectare) para madeira serrada, porque o Kiri precisa de sol pleno. Plantios bem mais adensados são associados à produção de biomassa para energia.
- Decepa após o primeiro ciclo. Se o tronco sair torto ou bifurcado, corta-se rente ao solo e deixa-se rebrotar. O novo broto costuma sair reto.
- Um broto só. Escolha o mais vigoroso e elimine os demais; depois faça desbrotas laterais regulares até o fuste limpo chegar a 4–6 m. Esquecer esta etapa gera nós e derruba o preço.
- Rebrota nas rotações seguintes. A cepa rebrota depois do corte, o que reduz o custo de replantio. Mas cada rebrota exige, de novo, seleção e desbrota.
- Consórcio. Como a copa é esparsa nos primeiros anos, é comum plantar culturas anuais ou pasto entre as linhas, gerando renda enquanto a árvore cresce. Combine com um agrônomo para evitar competição por água.
7. A madeira: leve, estável — e não serve para tudo
A madeira de Paulownia é conhecida pela baixa densidade e pela estabilidade dimensional: empena e racha pouco ao secar, o que é uma vantagem frente a alguns eucaliptos. Em contrapartida, tem baixa resistência mecânica, e por isso não é indicada para estruturas que suportam carga.
- Usos de maior valor: blocos e pranchas de surf, instrumentos musicais, caixotaria fina, forros, móveis leves e lâminas decorativas.
- Energia: a densidade baixa não favorece lenha ou carvão; para energia, o caminho é triturar e peletizar.
- Defeitos custam caro: nós e tronco torto reduzem o preço de forma acentuada. Por isso a desbrota não é opcional.
8. Dinheiro: o que dá para afirmar e o que deve virar pergunta
Aqui está o ponto em que mais circulam números sem fonte. Nosso conselho é tratar as afirmações abaixo como perguntas, e não como fatos (a seção 9 traz a lista completa, com o grau de confiança de cada uma):
| Você ouve | O que verificar |
|---|---|
| "A madeira vale R$ 5.000 ou mais por m³." | Quem compra? Em que diâmetro e qualidade? Está em contrato ou só em anúncio? Não achamos tabela pública que sustente esse valor. Veja como separar volume de tora e volume serrado em valoração de ativos florestais. |
| "Produz 20 a 35 m³ por hectare por ano." | Em que solo, com qual clone e em que idade foi medido? Faltam ensaios brasileiros multilocais publicados. Peça os dados de talhões reais, com inventário. |
| "Rende dezenas de toneladas de CO₂ por hectare por ano em créditos de carbono." | Existe projeto registrado, com metodologia e auditoria? Quanto do crédito fica com o produtor? Veja como calcular o CO₂ de uma árvore e o que é MRV. |
O custo de implantação do Kiri tende a ser maior que o de uma floresta de eucalipto (muda clonal mais cara, solo corrigido, desbrota anual, irrigação em seca). Por isso o retorno depende quase todo de vender bem a madeira no corte. O risco é de liquidez: ter a madeira pronta e ninguém para comprar. Contratos de compra garantida podem reduzir esse risco, mas leia as cláusulas: preço mínimo, critérios de classificação da madeira, quem paga a colheita e o frete, o que acontece se a empresa não cumprir.
9. O que circula por aí — e com que cautela ler
Ao pesquisar sobre Kiri, você vai topar com textos, vídeos e propostas comerciais que repetem números e afirmações bem específicos. Muitos não têm uma fonte primária forte (artigo revisado por pares, publicação de instituição de pesquisa ou documento oficial), e alguns vêm de quem vende muda ou promete retorno. Isso não significa que sejam falsos, e sim que ainda não podem ser usados como base de decisão. Reunimos aqui as principais, com o grau de confiança que conseguimos atribuir e como questionar cada uma. Se você já se informou por alguma delas, vale reler com este filtro.
| O que circula | Situação da fonte | Como questionar |
|---|---|---|
| Produtividade: 18 a 35 m³/ha/ano; um caso de 21,65 m³/ha/ano aos 10 anos em Agudo (SP). | Fonte fraca. Não localizamos o estudo original; a faixa parece extrapolada de casos isolados. A própria literatura reconhece que faltam ensaios com clones em vários locais. | Peça o trabalho original: qual clone, solo, espaçamento, adubação, idade, e se foi medição de campo ou projeção. |
| Características da madeira: densidade básica de cerca de 0,27 g/cm³, 67,7% de holocelulose, 17,1% de lignina e poder calorífico de 4.577 a 4.950 kcal/kg, medidos em árvores de 13 anos em Tuparendi (RS). | Fonte parcial. São valores plausíveis para uma madeira muito leve, mas não conseguimos localizar a publicação de origem. Tratamos como ordem de grandeza. | Peça autor, revista e ano. Valores mudam com espécie, idade e posição no tronco; não generalize para o seu clone. |
| Preço da madeira: US$ 400 a 1.200 por m³ no mercado internacional; R$ 5.400 por m³ no Brasil, em "bolsas de mercadorias"; pellets entre € 100 e 200 por tonelada na Europa. | Fonte fraca. Não há tabela pública consolidada; o valor em reais parece vir de anúncios isolados, e a faixa internacional não informa qualidade, diâmetro nem data. | Peça cotação por escrito de um comprador real, com classificação da tora, local de entrega e prazo de pagamento. |
| Carbono: mais de 50 tCO₂eq/ha/ano (contra cerca de 20 numa floresta nativa), crédito a US$ 25 por tonelada e, por isso, cerca de US$ 1.250/ha/ano; projetos auditados pela ISO 14064, com satélite e blockchain. | Fonte fraca. O valor é uma projeção, não uma medição publicada. A conta também ignora descontos usuais de projetos (reserva de risco, custo de auditoria, repartição com o desenvolvedor), e a norma ISO 14064 trata de quantificação e verificação de emissões, não garante preço nem aceitação do crédito. | Pergunte: existe projeto registrado em padrão reconhecido? Qual metodologia? Quanto do crédito vai para o produtor? Leia como calcular o CO₂ e o que é MRV. |
| Contrato de compra garantida: empresas como a Paulownia Brasil oferecem preço mínimo e assumem colheita e frete, o que facilitaria crédito agrícola. | Fonte comercial. O modelo existe e pode ser útil, mas as condições vêm da própria empresa e não de estudo independente. | Leia o contrato: preço mínimo e reajuste, critério de classificação, quem paga colheita e frete, multas, e o que ocorre se a empresa não cumprir. Peça referências de produtores com talhões já colhidos. |
| Invasão em área protegida: o ICMBio teria listado 290 espécies exóticas invasoras em unidades de conservação federais, incluindo o Kiri no Parque Nacional da Serra do Itajaí (SC). | Não confirmado. Não encontramos o documento do ICMBio que cite o Kiri nesse parque. O estudo da UFS (seção 10) trata de risco modelado, não de ocorrência confirmada. | Peça o documento (lista, plano de manejo ou relatório do ICMBio) e a página onde a espécie aparece. Se não houver, trate como boato. |
| Biologia reprodutiva: até 20 milhões de sementes por árvore e germinação de 1 a 3% em materiais brasileiros. | Fonte parcial. A Embrapa confirma o baixo poder de germinação e a preferência por clonagem, mas não localizamos a origem dos números exatos. A produção de sementes é alta em P. tomentosa segundo bases internacionais. | Use como ordem de grandeza. A conclusão prática (não plantar a partir de semente) não depende do número exato. |
| Crescimento e raiz: mais de 3 cm por dia no verão; raiz de até 5 m; P. tomentosa suportando até −20 °C; sombreamento em 12 a 18 meses. | Fonte fraca a parcial. São números repetidos em materiais de divulgação, sem referência clara; o frio extremo se refere à espécie em clima de origem, não aos híbridos vendidos no Brasil. | Pergunte em que clone e região foram observados. No Brasil, o risco de geada em planta jovem é real. |
| Rotações: até 8 rebrotas sucessivas, com corte entre o 6º e o 10º ano. | Fonte fraca. A rebrota é bem documentada; o número de ciclos economicamente viáveis, não. A produtividade pode cair a cada rotação. | Peça dados de talhões de 2ª e 3ª rotação, com medição de volume. |
| Comparação com o eucalipto: viabilidade medida por VPL e TIR com taxa mínima de atratividade de 8,75% ao ano. | Fonte parcial. Para o eucalipto, estudos assim são comuns; para o Kiri, não localizamos estudo equivalente que use dados reais de custo e preço. | Monte sua própria conta com seus preços (assunto do próximo post) e rode cenários pessimistas. |
| Reserva Legal Produtiva: o Kiri sombrearia o solo em 12 a 18 meses e abafaria o capim, ajudando a recompor a reserva com nativas. | Fonte fraca para essa finalidade. A permissão legal para consórcio com exóticas existe, mas o benefício ecológico do Kiri ali não foi demonstrado, e o risco de invasão pesa contra. | Consulte o órgão ambiental do estado e um técnico em restauração antes de usar exóticas em Reserva Legal. |
Classificação da equipe do App Silvicultor, feita em outubro de 2026 a partir da busca em repositórios científicos e institucionais. "Não localizamos" significa que não encontramos a fonte, o que não prova que ela não exista: se você a tiver, nos escreva.
Uma regra simples para qualquer número sobre Kiri: pergunte quem mediu, onde, em que idade e com qual clone, e quem ganha se eu acreditar. Número sem autor, sem local e sem data é propaganda, mesmo quando soa técnico. Prefira Embrapa, universidades, revistas científicas e órgãos oficiais, e confronte com pelo menos uma fonte independente.
10. O ponto mais importante: o risco de invasão
As mesmas características que fazem o Kiri render — crescimento rápido, rebrota vigorosa e muita semente leve, dispersa pelo vento — são as de uma espécie invasora. Não é teoria:
- Em outros países: Paulownia tomentosa é tratada como invasora nos Estados Unidos e na Nova Zelândia (CABI; Centro Nacional de Informação sobre Espécies Invasoras do USDA). Nos EUA, ela ocupa margens de rios, bordas de mata e áreas perturbadas, e brota de cepas e raízes.
- Na Colômbia: uma sentença do Conselho de Estado, de agosto de 2022, determinou ao governo garantir que não se plantem novas lavouras de P. tomentosa, e o Ministério do Meio Ambiente colombiano abriu, em outubro de 2024, mesas de trabalho para controlar a espécie e seus híbridos.
- No Brasil: Mendonça et al. (UFS, 2021) usaram um modelo de nicho ecológico (baseado em clima) e encontraram suscetibilidade à invasão em todos os biomas: de média a extremamente alta em quase toda a Amazônia e no Pampa, baixa no Pantanal, predominantemente baixa no Cerrado e na Caatinga, e de nula a extremamente alta na Mata Atlântica. Santa Catarina e Amapá aparecem entre os estados de suscetibilidade alta a extremamente alta. Os autores desaconselham o plantio sem manejo rigoroso.
Leia com cuidado: o estudo brasileiro é uma previsão de clima favorável, não um levantamento de plantas escapadas no campo. Ele não prova que o Kiri já esteja invadindo uma região, mas mostra onde o risco é maior e justifica cuidado extra. Há textos que afirmam que o Kiri já compete com a vegetação nativa em unidades de conservação federais (cita-se, por exemplo, o Parque Nacional da Serra do Itajaí, em Santa Catarina, com base em listas do ICMBio). Não conseguimos confirmar esse registro em documento oficial, então ele aparece na seção 9 como afirmação a ser verificada, e não como fato.
O que reduz o risco na prática
- Use apenas mudas clonais de híbridos descritos como estéreis, e peça ao fornecedor documentação da genética (nome do clone, origem, laudo ou literatura sobre esterilidade). Cultivares comerciais como Shan Tong e Z07 são vendidas com essa característica, mas não encontramos, em fonte pública independente, ensaios brasileiros que a confirmem nas condições locais.
- Nunca plante a partir de semente coletada de árvores férteis.
- Mantenha distância de nascentes, margens de rio, Áreas de Preservação Permanente, fragmentos de mata e unidades de conservação.
- Monitore e remova brotos que apareçam fora do talhão, inclusive nas rebrotas depois do corte.
- Consulte o órgão ambiental do seu estado: algumas unidades da federação mantêm listas próprias de espécies exóticas invasoras, com restrições de plantio. O Brasil também tem a Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras (Resolução CONABIO nº 7/2018).
- Reserva Legal: o Código Florestal permite, na recomposição em sistema agroflorestal, consorciar nativas com exóticas de uso econômico, com limite de área para as exóticas (art. 66, § 3º, confira o texto vigente). Antes de usar Kiri nesse arranjo, considere o risco de invasão e converse com o órgão ambiental. Veja também restauração florestal na prática.
11. Checklist do pequeno e médio produtor
- Abri trincheira e fiz análise de solo? O solo é profundo e sem encharcamento?
- Existe geada na minha região? Posso plantar na primavera, depois do último risco?
- Tenho água para irrigar nos dois primeiros anos, se a seca for longa?
- Sei quem vai comprar a madeira, a que distância e com qual critério de classificação? Tenho isso por escrito?
- Tenho mão de obra para a desbrota todo ano?
- A muda é clonal, com procedência e registro do viveiro, e o fornecedor documenta a esterilidade do híbrido?
- A área fica longe de mata, nascente e APP?
- Começo com uma área-piloto e vou medir tudo (altura, diâmetro, sobrevivência, defeitos) para decidir se amplio?
12. Como o App Silvicultor ajuda numa área-piloto
Como não há dados regionais suficientes, o produtor que planta Kiri vira, na prática, parte do experimento — e precisa de registro confiável. O App Silvicultor serve a esse propósito:
- Etiqueta QR por árvore e endereço por talhão, linha e planta, para medir sempre a mesma árvore;
- Histórico de DAP e altura, com a altura medida pela câmera do celular;
- Manutenções agendadas (desbrota, adubação, controle de formigas), com registro de cada intervenção;
- Relatórios em PDF e Excel para levar a comprador, banco, consultor técnico ou órgão ambiental.
13. No próximo post
Este guia responde "vale a pena tentar?". No próximo, vamos para a conta: quanto custa implantar um hectare de Kiri, quais são os itens que mais pesam no fluxo de caixa e como simular o VPL e a TIR com o seu preço de venda — incluindo o que perguntar antes de assinar um contrato de compra garantida. Se você já planta ou pensa em plantar, acompanhe o blog.
Perguntas frequentes
Kiri-japonês é o mesmo que Paulownia?
Sim. Kiri, quiri e Paulownia são nomes da mesma árvore asiática. O gênero tem várias espécies; no Brasil aparecem sobretudo P. fortunei (quiri), P. tomentosa (kiri-japonês) e híbridos.
O Kiri-japonês é uma espécie invasora no Brasil?
P. tomentosa é invasora em outros países. No Brasil, um modelo climático da UFS indica suscetibilidade à invasão em todos os biomas, variando de nula a extremamente alta conforme a região. É um alerta de risco, não um registro de invasão consolidado, e o plantio sem manejo rigoroso é desaconselhado.
O que é decepa e por que se faz no Kiri?
É o corte da parte aérea rente ao solo. Como o Kiri rebrota com vigor, a decepa elimina troncos tortos e gera um novo broto reto. A Embrapa também usa a decepa de matrizes adultas para obter brotos jovens para clonagem.
Quanto vale a madeira de Kiri?
Não há tabela pública consolidada no Brasil. Os valores variam com diâmetro, ausência de nós e comprador. Peça cotação por escrito e desconfie de promessas sem contrato.
Pequeno produtor pode plantar Kiri?
Pode, com cautela: solo profundo e bem drenado, desbrota anual, comprador definido e área-piloto antes de ampliar. Use mudas de procedência documentada e fique longe de matas e nascentes.
Referências para aprofundar
Priorizamos fontes públicas, de instituições de pesquisa e de órgãos governamentais. A coluna "tipo" indica como cada uma deve ser lida.
| Fonte | Tipo | Para que serve |
|---|---|---|
| Embrapa Florestas (Comunicado Técnico 386) | Instituição federal de pesquisa | Passo a passo da clonagem do quiri |
| Revista Árvore (UFPR/Embrapa) | Artigo científico | Dados de minicepas e enraizamento |
| Natureza online (UFS) | Artigo científico | Mapa de risco de invasão por bioma e estado |
| CABI; USDA (NISIC) | Bases internacionais de referência | Biologia e impacto como invasora |
| Ministério do Meio Ambiente da Colômbia | Órgão governamental | Exemplo regulatório recente |
| Anúncios e materiais comerciais | Comercial | Não use como base de decisão sem contrato e dados de campo |
- STUEPP, C. A.; WENDLING, I.; ZUFFELLATO-RIBAS, K. C. Resgate vegetativo e miniestaquia de quiri (Paulownia fortunei). Colombo: Embrapa Florestas, 2016. (Comunicado Técnico, 386). ISSN 1980-3982. Acesso aberto na Infoteca-e da Embrapa. A principal referência técnica deste guia.
- STUEPP, C. A.; ZUFFELLATO-RIBAS, K. C.; KOEHLER, H. S.; WENDLING, I. Enraizamento de miniestacas de Paulownia fortunei var. mikado provenientes de minijardim. Revista Árvore, 2015. Repositório Alice (Embrapa).
- MENDONÇA, D. A.; SANTANA, W. L.; REIS, D. O.; GOMES JUNIOR, J.; FABRICANTE, J. R. Análise de risco de invasão biológica no Brasil por Paulownia tomentosa (Thunb.) Steud. (kiri-japonês) por meio da modelagem de nicho ecológico. Natureza online, v. 19, n. 1, p. 1-5, 2021. ISSN 1806-7409. Texto completo.
- CABI. Invasive Species Compendium: Paulownia tomentosa (ficha técnica). cabi.org/isc (busque pelo nome científico; parte do conteúdo exige cadastro).
- USDA — NATIONAL INVASIVE SPECIES INFORMATION CENTER. Perfil de Paulownia tomentosa (recursos e publicações). invasivespeciesinfo.gov.
- COLÔMBIA. Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible. Minambiente lidera proceso de consolidación de herramientas para el manejo y control de la especie exótica invasora Paulownia tomentosa en el territorio nacional. 18 out. 2024. Nota oficial.
- BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 (Código Florestal), arts. 35 e 66. Texto no Planalto.
- BRASIL. Comissão Nacional da Biodiversidade (CONABIO). Resolução nº 7, de 29 de maio de 2018 — Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras.
Aviso: este guia tem fins informativos e reúne o que está publicado até outubro de 2026. Condições de solo, clima e material genético variam muito entre propriedades, e parte das práticas para o Kiri no Brasil ainda não foi validada em ensaios multilocais. Defina o plantio com um engenheiro florestal ou agrônomo habilitado e confirme com o órgão ambiental do seu estado as regras sobre espécies exóticas antes de plantar.
Se vai testar o Kiri, registre cada árvore desde o primeiro dia: é o dado que falta no Brasil.
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